Sobre minha mãe...
07:37 PM By: Alessandra Ramos *

Hi, Dears!!!

Como têm passado? Fiquei uma semaninha sem postar...

A barra pesou pro lado da minha mãe, afinal ainda não fez um mês que minha Vózinha se foi, e imaginem como ela ficou nesta semana do Dia das Mães...Procuramos não deixá-la só, nem eu nem minha irmã.  Em meio ao corre-corre, após colocar o Rodrigo no transporte escolar, eu subo com o Thuthu para a casa dela, ou chamo (ela e minha irmã) para descerem para minha casa (ela, minha irmã e meu irmão moram na casa de cima, eu na de baixo, somos "vizinhos", em breve vou literalmente deixar o ninho, estamos comprando finalmente o nosso cantinho, pois esta casa em que moro é da minha mãe. Não sei como será isso...Vou estranhar muito,meus filhos também...) . Almoçamos junto, conversamos, fazemos palhacadas p ela rir, e aos poucos está superando. Superando não é bem a palavra, pois mãe, só temos uma na vida, não gosto nem de imaginar( Aliás, vivo dizendo isso a gente que conheço, que vive de "guerrinha", não dá valor à mãe que tem...) Se dói ficar sem Vó, imaginem sem mãe.  Eu, minha mãe, e minha irmã temos uma ligação fortíssima, respeitamos uma à outra e nos apoiamos incondicionalmente. Meu irmão é mais fechado, mas é como nós três, basta precisar dele, mesmo sem dizer, no olhar ele tem um jeito único de "estar ali".

Minha mãe é aquela mãe AMIGA. Ela me apoiou e está ao meu lado sempre. No dia da prova no concurso para o Curso Normal(hoje Curso de Formação de Professores, na tradicional Escola Normal Carmela Dutra, eu entrei e saber que ela me esperava lá fora, me deu serenidade para fazer a prova. Resultado do vestibular da UERJ: comprei o jornal, mas só abri em casa. Se eu não passasse, ela teria as palavras certas para que eu não me sentisse um lixo! No parto do meu primeiro filho, o Rodrigo (meu marido "papyto" amarelou kkkk), segurou minha mão na hora daquela dor (desesperadora! kkkkk aliás, não sei se alguém já parou para pensar: segurar nossa mão não faz as contrações pararem, nem a dor mas como a gente acha que precisa que segurem a mão da gente e não soltem pelo amor de Deus! Parece que  ver alguém ao nosso lado não basta. Tem que dar a mão!) Ela viu meu filho nascer, riu, chorou, junto comigo. Tive síndrome do pânico e até descobrir, achava que estava ficando louca, e ela sempre tinha as palavras certas para me consolar, e ter calma para entender: "- Por quê comigo!". Meu segundo filho, nasceu de cesariana, emergência, ela não pode assistir, mas ficou lá, rezando, e chorou ao ver aquele "presentinho de Deus", bem e a salvo. Poderia enumerar tudo o que já passamos...Obrigação de mãe? Ela poderia não estar lá, bastava escolher.

Na adolescência havia quem achasse isso impossível: ter na mãe uma melhor amiga, confidente, enfim tudo, uma coisa "de outro mundo", "impossível", ou mesmo "ridículo". Saíamos juntas p shopping, almoçar, lanchar, médico, dentista, tirar os meus documentos... é bem verdade que minha mãe não entrava numa de ir dançar ou ir aos "Rock in Rio" e "Hollywood Rock" da vida comigo, mas eu encararia na boa, adoraria, só que não era a dela. Mas quando eu contava que "ontem passei a tarde andando no shopping com a Ledinha, vimos uma bolsa..." e continuava a contar sob aquele olhar horrorizado, de espanto, terror de algumas das meninas mais chegadas do colégio.Era hilário...Mas também tinha brincadeirinhas de mal gosto: na nossa rua, chegaram a falar coisas do tipo: "- Será que na primeira vez vai ser com a mãe de plantão na porta do quarto? " E olha que eu saía com minhas amigas, e fazia coisas normais que toda adolescente faz, mas também optava por fazer coisas com minha mãe!

Se sou "filhinha da mamãe", quadrada, antiquada, esquisita, (pois até hoje não mudei nada) Que bom pra mim. Tenho orgulho em ser assim, família, filha, mãe da minha mãe. E de alguma forma meus filhos captaram isso, o Rodrigo com 10 anos se sente à vontade para falar sobre tudo comigo(cada coisa, cada pergunta cabeluda, que eu tento respirar me refazer e encarar com naturalidade!). Eles não tem medo de dizer quantas vezes tiverem vontade: "- Mamãe, eu te amo tanto!" E como isso enche meu dia. Me renova. Me aquece. Onde e com quem aprendi isso?

Você...Você aí...É você mesmo!!! Não perca tempo. Aproveite. Ame sua mãe. Se você acha que "ela tá por fora", só sabe" te atrasar", pare e pense...Filho não vem com manual de instruções. A gente vê aquele serzinho que cresceu dentro da gente, e quer proteger de tudo, salvar do mundo, não vê-lo sentir uma dorzinha sequer, se erramos, é tentando muito acertar!

"...o que você vai ser, quando você crescer?" (Renato Russo)